A Luta pelo “Desconhecido”

Quem nunca teve o prazer de conhecer algo maravilhoso espontaneamente na internet? Sem buscar, simplesmente encontrar. Apesar de muitos não saberem, estes acontecimentos tem um nome: Serendipidade. Não é um fenômeno apenas da Internet, mas muito potencializado por esta, através de redes sociais, buscas, hiperlinks, etc. A Internet nos conecta com o estranho e o desconhecido; ao procurarmos por algo, nos deparamos com uma imensidão de outras coisas as quais não estamos intencionalmente buscando, afinal de contas são desconhecidas. Porém, muitas vezes o inesperado acaba sendo mais útil e desejável do que um resultado previsível.

A Serendipidade pode ser um fator positivo para ambas as partes: para as pessoas que encontram o impensado e também para aquilo que é descoberto. Muitas pessoas, bandas, grupos ativistas e causas humanitárias se beneficiam com novos fãs e adeptos graças ao acaso da web. Muitos novos interessados aparecem depois de simplesmente se depararem com alguma forma de publicação e fortificam causas que, senão fosse por essa “mídia espontânea”, estariam fadadas a desaparecerem.

A Internet também possibilitou uma integração a nível mundial. Muitas causas se fortalecem ao ganhar visibilidade no exterior, como o recente exemplo das revoluções no Egito, ou seja, agora já não participamos apenas em lutas regionais, como também em nacionais e internacionais. Como não vivemos nestes conflitos, muitas vezes eles são parte do desconhecido, até que esbarremos com alguma notícia sobre o caso e criemos interesse. A título de exemplo, tenho uma amiga Iraniana e observei que ela havia curtido uma página no Facebook chamada “My Stealthy Freedom”, apenas por curiosidade resolvi clicar para saber do que se tratava. Descobri que esta é uma página criada por mulheres iranianas que lutam contra o uso obrigatório do Hijab (o véu) e também reivindicam a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Como discussões religiosas sempre me interessaram, principalmente relacionadas a países islâmicos, decidi curtir a página que à época tinha cerca de 20.000 likes. Foi interessante acompanhar o quão rápido a página cresceu. Começou-se a perceber um aumentou absurdo, e incrivelmente mais estrangeiros que iranianos começaram a curtir a página. Tanto que eles começaram a escrever todas as postagens tanto em persa como em inglês. A página ganhou reconhecimento mundial, foi noticiada em jornais britânicos, italianos, franceses, estado-unidenses, e já alcançou um número de cerca de 650.000 pessoas.
Chegando ao ponto nevrálgico: eu cheguei de maneira completamente acidental à página, assim como 4 dos meus amigos que acabaram curtindo-a, e provavelmente grande parte dos que acabaram encontrando a página também não a buscavam, mas a viram, e simpatizaram com a sua causa. Notamos o quanto não se pode frear a Internet e sua capacidade de difusão de informação, sendo, assim, tão importante para a divulgação de pequenas e grandes lutas. Porém, a Internet não seria o bastante para uma promoção das mesmas, não fosse o fator da serendipidade potencializado.

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