Rede: espaço de possibilidades

Você já ouviu falar em Nomofobia? Tem alguma ideia do que seja?

Lamento informar, mas se você não tem nomofobia, conhece alguém que tenha. Pode apostar!

A nomofobia é uma doença nova, que caracteriza pessoas que não conseguem ficar muito tempo sem seu aparelho celular. Se identificou? Talvez? Nunca bateu aquela angústia depois de ter percebido que ficaria o dia inteiro longe do seu smartphone porque tinha esquecido ele em casa, mas já era tarde demais pra voltar e buscar? Ou quando a bateria vai embora no momento mais inoportuno (que seria em qualquer hora)?

Pois é meu caro ou minha cara, infelizmente, ou talvez não, a nomofobia atinge hoje uma enorme parcela da população mundial. Tá todo mundo conectado, o tempo todo. Na fila do banco, no aeroporto, na mesa do restaurante, sozinho ou acompanhado.

Por acaso você não já ouviu dos teus pais, ou de alguma tia, reclamações de como é irritante tentar conversar enquanto você fica conectado o tempo inteiro? Ou talvez você esteja do outro lado, do lado de quem se irrita por “não ter atenção” quando quer falar.

A gente vive escutando como isso é uma coisa ruim para as relações interpessoais. Mas até que ponto esse afastamento do mundo real é verdadeiro? O fato de você estar conectado não quer dizer que você esteja desligado do mundo, pelo contrário. Você está ligado simultaneamente a vários mundos, com diversas pessoas diferentes, descobrindo um monte de coisas a todo instante.

Mas aí alguém diz: “Estamos falando das relações face a face, isso está se perdendo nesse ciberespaço, as pessoas já não se comunicam mais entre si”.

Olha, não é bem por aí… O que a gente percebe é uma reconfiguração no modo de se comunicar. As pessoas estão cada vez mais interagindo umas com as outras. Pessoas têm acesso a conteúdos informativos de qualquer lugar, feitos por qualquer pessoa, sobre qualquer assunto. Está tudo ali, a um click. Isso porque, a rede é global, ela possibilita a quebra de barreiras geográficas, sociais, etc. Você pode estar aqui no Brasil, falando com um amigo do Quirguistão, sobre a revolta do ‘guarda-chuva’ que está ocorrendo nas ruas de Hong Kong.

Não há mais um centro monopolizador e sim um espaço descentralizado, onde todos podem construir modelos de comunicação, transformando as pessoas que fazem parte dessa rede, em cada vez mais ativas. As novas tecnologias informacionais modificam as formas de expressão e, por conseguinte, as formas de recepção. Dessa forma, surge uma mudança nos modos de pensar a sociedade como um todo.

Abriu-se uma janela que possibilitou uma reorganização daqueles que antes não tinham onde evidenciar sua fala. O sociólogo espanhol Manuel Castells, em entrevista sobre as mobilizações que ocorreram em 2011, por diversos países do norte da África e do Oriente Médio – a chamada Primavera Árabe -, diz que: “a transformação das tecnologias de comunicação cria novas possibilidades para a auto-organização e a auto-mobilização da sociedade, superando as barreras da censura e repressão impostas pelo Estado. Claro que não depende apenas da tecnologia. A internet é uma condição necessária, mas não suficiente”.

Ainda segundo Castells, “as raízes da rebelião estão na exploração, opressão e humilhação. Entretanto, a possibilidade de rebelar-se sem ser esmagado de imediato dependeu da densidade e rapidez da mobilização e isto relaciona se com a capacidade criada pelas tecnologias do que chamei de “auto-comunicação de massas”.

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