Comunicação, política e internet: uma tríade cada vez mais ruidosa

Quem nunca ouviu (geralmente no meio de um discurso inflamado) a fala “a tv aliena o povo!”? Bem, desde que equipamentos que servem como meio de comunicação de massa passaram a fazer parte do dia a dia da maioria das pessoas, o uso político dessas ferramentas é debatido e motivo de preocupação para uns, entusiasmo para outros.

Política e meios de comunicação de massa sempre caminharam lado a lado, sendo que a tecnologia da informação passou a ser aliada imprescindível atuando no desenvolvimento dos meios, mais precisamente para que o uso político deles fosse mais abrangente e eficaz. Na II Guerra Mundial, por exemplo, os mídias serviam tanto para propaganda ideológica quanto para informação, o que não difere do quadro atual, principalmente se falamos dos meios tradicionais.

familia antigua radio

Família ouvindo rádio na década de 40

Então, o que mudou com a chegada da internet e suas redes? Bem, com isso o interlocutor inflamado do primeiro parágrafo não contava: o formato unilateral de produção e difusão de informações das mídias tradicionais não é mais o único. Com alcance cada vez maior, a internet tem sido palco e ferramenta política para as mais variadas idéias e intenções. E nessa organização fundamentada em diálogos horizontais, movimentos de teor social e político podem se espalham, dando protagonismo a quem se indignava sozinho ou reivindicava a partir de lideranças estabelecidas, como no modelo político-partidário. O sociólogo espanhol Manuel Castells, que discorre sobre o poder político construído no espaço da comunicação, usa o termo “autocomunicação de massas” para descrever o fenômeno do uso das redes sociais da internet sendo usadas não somente como meio de comunicação, mas como um novo espaço público onde os atores são coletivos. Ainda assim, movimentos de cunho sociopolíticos que surgem e se difundem via internet precisam do interesse primordial dos seus atores. Um individuo desinteressado pelo que acontece na sociedade poderá apenas transpor para a internet sua alienação, afinal, as possibilidades de uso da internet ainda são fomentadas pelas escolhas e conteúdo (ou falta de) off-line.

Recomendamos o vídeo abaixo da conferência de Castells no projeto “Fronteiras do Pensamento Brasken”, de 2013, onde ele divulga seus estudos e conclusões sobre temas como ocupação dos espaços públicos, interação constante entre o físico e a internet:

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