Internet 2.0: a pauta é livre, o engajamento idem

Manifestações políticas que ganham as ruas não são novidade no Brasil. Nas décadas de 60 e 70, auge da ditadura militar no país, protestos ganhavam as ruas com milhares de pessoas. A golpe militar, aliás, foi avalizado por uma manifestação popular de grandes proporções: a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, em 19 de março de 1964, foi estopim para que militares tomassem o poder sob o pretexto dos clamores da população contra a “ameça comunista”, difundida pelos meios de comunicação hegemônicos da época, incitando os cidadãos ao levante que garantiria aos militares o controle político do Brasil entre 1964 à 1985. MARCHA Durante todo o regime militar, militâncias se organizavam contra a ditadura, muitas delas originadas no meio estudantil, apesar de intensa repressão e da precariedade dos meios de comunicação. A redemocratização do país também foi impulsionada por manifestantes nas ruas, numa articulação entre políticos a favor da democracia, intelectuais e, porque não dizer, a cobertura majoritariamente favorável da mídia tradicional ao movimento das “Diretas Já”, contribuindo a levar multidões a comícios e protestos pelas eleições diretas no país. Diretas_Já Com a democracia, diversos movimentos de ordem social e política proliferaram, como: Movimento dos Sem Terra, movimentos sindicais, operários. Então, diante do histórico de grandes manifestações no país, o que os eventos de junho de 2013 no Brasil trouxeram de novo? Se antes da internet e sem a liberdade de hoje, protestos e reivindicações já levavam milhares às ruas? Talvez a resposta esteja na estrutura da internet: rede. Quantos posts com teor político passaram por suas redes hoje? Já assinou alguma petição on-line passada por amigos através do Facebook ou Twitter? A impressão que temos é de que internet e política se tornou um binômio indissociável, pelo menos nos últimos 2 anos. Engajados de todas as partes, de todas as causas, nos propõem adesão e ativismo. Se há quem considere política nas redes como mero “ativismo de sofá”, em junho de 2013 a ida de multidões às ruas convergindo com o que propuseram alguns estudantes insatisfeitos com o aumento das passagens mostrou que engajamento ou acomodação política não dependem da internet, mas hoje passam quase que obrigatoriamente por quem está conectado às redes. Nada mal para uma ferramenta que surgiu em plena Guerra Fria com a função de descentralizar informações para preservá-las através do compartilhamento entre sistemas integrados. A onda política na rede 2.0, por esse prisma, seria apenas um retorno à funcionalidade prevista da internet. Porém, com a possibilidade de incalculáveis protagonistas.

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